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Comentário Salmo 14.

Posted by Ruy Manhães On maio - 22 - 2010

Como este Salmo não tem nenhum título específico, sugerimos, como um apoio para a memória, que se Spurgeon222lhe chame «Com referência ao ateísmo prático». C. H. S.
Há uma marca peculiar posta sobre este Salmo, no facto de que se acha duas vezes no livro dos Salmos. O Salmo catorze e o Salmo cinquenta e três são iguais, com a alteração de uma ou duas expressões, ao máximo. John Owen

Vers. 1. O néscio. O ateu é o néscio de modo preeminente e um néscio de modo universal, em todos os aspectos. Não negaria a Deus se não fosse um néscio por natureza, e tendo negado a Deus, não é de estranhar que se converta num néscio na prática. O pecado é sempre uma loucura; mas é o cúmulo do pecado, e a suma loucura imaginável, o atacar a própria existência do Altíssimo. Um néscio fá-lo centenas de vezes, e um blasfemo loquaz espalha as suas horríveis doutrinas como um leproso espalha a praga.
Ainsworth, nas suas “Annotations”, diz-nos que a palavra usada aqui é Nabal, que tem o significado de desmaiar, morrer, decair, como a folha ou a flor murcha; é um título que se dá ao néscio no sentido de que perdeu o sumo e a seiva da sabedoria, a razão, a sinceridade e a piedade. Trapp acerta quando chama a «um indivíduo sem seiva, o esqueleto de um homem, um sepulcro ambulante de si mesmo, em quem toda religião e reta razão se tem murchado, secado e decaído». Alguns traduzem-no como «apóstata», e outros como «desgraçado». Com que sinceridade deveríamos evitar a aparição da dúvida quanto à presença, actividade, poder e amor de Deus, porque esta desconfiança é da natureza da loucura, e quem há entre nós que queira ser equiparado ao néscio do texto? Contudo, não esqueçamos que todos os homens que não foram regenerados são mais ou menos este tipo de néscios. C. H. S.
«O néscio», um termo da Escritura que significa um malvado, é usado também pelos filósofos pagãos para significar uma pessoa viciosa, má. Significa também a extinção da vida no homem, nos animais e nas plantas; assim se usa a palavra em Isaías 40:7, «a flor murcha-se»; em Isaías 28:1, uma planta que perdeu toda a seiva que a faz preciosa e útil. Assim, um néscio é o que perdeu a sua sabedoria e as suas noções retas de Deus e das coisas divinas que foram comunicadas ao homem na ocasião da criação; um morto em pecado, se bem que alguém que não está tão desprovido de faculdades racionais como da graça destas faculdades; alguém que possui razão, mas que abusa da sua razão. Stephen Charnock
Disse o néscio em seu coração: Não há Deus. Que terrível é a corrupção que faz com que toda a raça adote como desejo do seu coração este «não há Deus!» C. H. S.
Os demónios crêem e reconhecem quatro artigos de nossa fé (Mateus 8:29): 1) Reconhecem Deus; 2) reconhecem Cristo; 3) O dia do julgamento; 4) Que serão atormentados ali; de modo que o que não acredita que há Deus é mais vil que o diabo. O negar que haja Deus é uma classe de ateísmo que não se acha no Inferno.
Na terra há muitos ateus.

No inferno, nenhum. T. Brooks
Seria preferível que um homem acreditasse que ele mesmo não existe, e que ele não é um ser, a que não creia que há Deus; porque ele pode deixar de ser, e houve um tempo em que não era, e será mudado do que é, e em muitos períodos da sua vida não sabe o que é; e isto ocorre cada noite enquanto dorme; mas nenhuma destas coisas podem ocorrer a Deus; e se este homem não o sabe, é um néscio.
Na aflição, o ateu tem de ser a mais desgraçada e solitária de todas as criaturas. Há uns trinta anos estava num navio com uma destas criaturas venenosas, quando se levantou uma terrível tempestade. Ele foi o que se assustou mais. Com o navio dando tombos, caiu de joelhos ante o capelão e confessou que tinha sido um ateu ruim e que tinha negado ao Ser supremo desde que tinha uso de razão.
O bom homem ficou aniquilado, e correu logo a voz de que no navio havia um ateu, na coberta superior. Vários dos marinheiros comuns, que não tinham ouvido nunca a palavra antes, pensaram que se tratava de algum peixe estranho; mas ficaram ainda mais surpreendidos quando viram que era um homem e ouviram da sua própria boca «que nunca tinha acreditado até aquele dia que houvesse Deus».
Enquanto se achava prostrado nas agonias da confissão, um dos simples marinheiros sussurrou ao contramestre «se não fariam bem lançado-o pela amurada». Mas já estávamos à vista do porto, quando de repente o vento amainou e o penitente, relapso, pediu a todos os que tinham estado presentes que eram cavalheiros, que não dissessem nada a ninguém do que se tinha passado.
Ao cabo de um par de dias de ter desembarcado, um dos da companha começou a gozá-lo pela sua devoção quando estava a bordo, se bem que ele o negasse com tanto insistência que se fazia evidente que um dos dois estava mentindo. A coisa terminou num duelo. O ateu foi ferido e começou a emanar sangue em abundância, com o que voltou a ser um bom cristão como quando estava no mar, até que se tornou evidente que a ferida não era mortal. Atualmente, é inclusive famoso, e escreve folhetos contra as opiniões dos que aceitam a existência das fadas. Joseph Addison (1671 – 1719), in “The Tattler”.
“A coruja do ateísmo,
Voando com sigilosas asas pela Lua,
Deixa cair as suas mortiças pálpebras,
Fecha-as bem, e ulula:
Onde se acha este glorioso Sol de que vos jactais?” Samuel Taylor Coleridge, 1772-1834.
Assim, o texto apresenta-nos estes três pontos: Quem é ele?: Um néscio. O que diz?: Não há Deus. Agora acrescenta: No seu coração. Não é o néscio natural, mas um ser moral, este néscio do qual fala Davi, a pessoa malvada, carente de graça, pois este é o sentido do termo original. O que tem feito este néscio? Sem dúvida, nada; só tem falado. O que é o que tem falado? Nada tampouco; só tem pensado; por que, dizer no coração, é só pensar. Richard Clerke, D.D.,—1634 (um dos tradutores da Bíblia inglesa).
Não há quem faça o bem. Exceto ali onde reina a graça, não há quem faça o bem; não há bem algum; a humanidade, caída e degradada, é um deserto sem um oásis, uma noite sem uma estrela, um esterqueiro sem uma jóia, um inferno sem fundo. C. H. S.
Vers. 3. À uma se têm corrompido. A única razão pela qual não vemos mais claramente esta corrupção é porque estamos acostumados a ela, tal como o que trabalha diariamente num ambiente pestilento deixa de notar o fedor no meio do qual se encontra. C. H. S.
Já nada resta, nada, para os dias futuros,
Que se possa acrescentar à lista de crimes;
Os filhos, resignados, devem sentir desejos
Que não podem ser piores que os de seus pais.
O vício alcançou o seu zénite.// Juvenal. Sátira 1

O texto diz-lhe positivamente. Repete-o negativamente: Não há quem faça o bem, não há nem sequer um. O Espírito Santo não está contente dizendo todos e conjuntamente, mas acrescenta estas negativas: «não», «nenhum», «nem sequer um».
Vers. 4. Que devoram o meu povo como se comessem pão. Como as carpas numa lagoa comem os peixes mais pequenos, e as águias fazem presa de outros pássaros, e os lobos esquartejam as ovelhas do prado, exatamente assim, os pecadores, de modo natural, e seguindo o seu curso, perseguem, caluniam e se mofam dos seguidores do Senhor Jesus. C. H. S.
Os malvados correm o risco de condenar as suas próprias almas contanto que possam usar a adaga sobre os que são a menina dos olhos de Deus. Lewis Stuckley.
Quando achares uma serpente sem presas ou um leopardo sem manchas, pode esperar achar um mundo malvado sem ódio aos santos. Se o mundo aborreceu a Cristo, não é de estranhar que nos aborreça a nós. «O mundo me aborreceu a mim antes que vos aborrecesse a vós» (Jo 15:18). Por que há-de alguém aborrecer a Cristo? Esta pomba bem-aventurada carecia de fel; esta rosa de Saron exalava suave perfume; mas isto mostra a baixeza do mundo, que é um mundo que odeia a Cristo e destroça os santos. Thomas Watson
Vers. 6. Vós envergonhais o conselho dos pobres, porquanto o SENHOR é o seu refúgio. Isto ilustra docemente o cuidado que Deus tem dos Seus pobres, não meramente dos pobres de espírito, mas literalmente, os pobres e humildes, os oprimidos e os ultrajados É este carácter de Deus o que se acha delineado de modo conspícuo na Sua Palavra. Podemos ir aos Veda dos hindus, ao Corão dos maometanos, considerar a legislação dos gregos, o código dos romanos, e até o Talmude dos judeus, o mais amargo de todos; porém, em nenhuma linha ou em nenhuma página acharemos rasto da ternura, compaixão, simpatia pelas injustiças, opressões, aflições e tribulações dos pobres de Deus como se mostra de maneira constante em quase cada página da Bíblia cristã. Barton Bouchier.
O sábio confia na sua sabedoria, o forte na sua fortaleza, o rico nas suas riquezas; mas, para eles, o confiar em Deus é a maior necedade do mundo. John Owen

Vers. 7. Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel! Quando o SENHOR fizer voltar os cativos do seu povo, se regozijará Jacó e se alegrará Israel. É natural esta conclusão para a prece, porque o que poderia convencer de modo mais efetivo os ateus, derrubar os perseguidores, deter o pecado, assegurar a piedade senão a aparição manifesta da grande salvação de Israel? A vinda do Messias foi o desejo dos fiéis em todas as idades, e embora Ele já tenha vindo como oferenda pelo pecado para expiar a nossa iniquidade, esperamos que venha pela segunda vez, sem oferenda para o pecado, para salvação.C. H. S.
A aflição é como se disséssemos o molho da oração, como a fome o é para o pecado. Verdadeiramente a oração é, em geral, insossa para o que não está aflito, e muitos deles não oram verdadeiramente, mas antes falsificam a oração numa oração de rotina, ou rezam pelo costume. Wolfgang Musculus, 1497-1563.
A catividade é a de nossas almas à lei da concupiscência, dos nossos corpos à lei da morte; a catividade dos nossos sentidos ao temor; catividade, a conclusão da qual está expressa com tanta formosura por um de nossos maiores poetas, ou seja, Giles Fletcher (1588-1623), en  ”Christ’s Triumph over Death.” (no seu ‘Triunfo de Cristo sobre a morte’):

Agora não penduras pena alguma na Sua frente;
Nem palidez de enfermidade há no Seu rosto;
A idade não põe fios de prata no Seu cabelo;
Nem nudez, nem pobreza danificam o corpo;
Nem o temor da morte anula o gozo da vida;
Não há pesadelos vãos que causem desgosto;
Não há perda, nem dor, nem mudança, nem espera
Que altere agora o suave deslizar-se das Suas horas.// John Mason Neale, in loc.

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Comentário sobre João 11: 1 a 16

Posted by Ruy Manhães On abril - 15 - 2010

Por Jorge Fernandes

João 11No começo, é-nos mostrada a situação em que se encontrava “um certo Lázaro, de Betânia, o qual era irmão de Maria e Marta”. Betânia era uma aldeia que ficava na Judéia, distante de Jerusalém quase quinze estádios (v.18), aproximadamente, três quilômetros.
Cristo estava em Jerusalém, havia confrontado os judeus; foi ameaçado de morte por apedrejamento; retirou-se para além do Jordão onde João o batizara, e ali, muitos iam ter com ele, e creram nEle (Jo 10.22-41).
Mas aqui, o Espírito Santo nos revela que Lázaro está enfermo. Para, em seguida, sabermos que Maria, sua irmã, foi a mulher que derramou um arrátel de ungüento de nardo puro nos pés do Senhor, enxugando-lhe os pés com os cabelos (v. 2; Jo.12.3).
Suas irmãs mandaram chamar Jesus com a seguinte notícia: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas” (v.3). Ora, não era preciso dizer mais nada. A mensagem que Marta e Maria endereçaram ao Senhor era clara: Lázaro está muito doente, às portas da morte, venha logo salvá-lo! O intuito delas era que Ele fosse até Betânia e pudesse curar Lázaro em tempo. E como irmãs que amavam ao seu irmão, confiando em Jesus como o Filho de Deus, elas encarregaram-se de apelar para os sentimentos do Senhor de uma forma profunda: “aquele que tu amas”. Seria mesmo necessário lembrar a Jesus do Seu amor para com Lázaro? Bem, vejo algumas hipóteses:
1) Por ser Lázaro um nome comum na época, queriam certificar a Cristo de que o Lázaro doente era “aquele que tu amas”.
2) Queriam que o Senhor, ao saber que “aquele que tu amas” estava doente, partisse imediatamente para Betânia a fim de curá-lo.
3) Demonstravam com “aquele que tu amas” revelar a urgência da situação em que Lázaro se encontrava, enfermado.
4) O Espírito Santo quis que a frase “aquele que tu amas” fosse guardada para as gerações futuras de crentes, para que jamais houvesse dúvida quanto ao amor que o Senhor Jesus tem por Suas ovelhas. Neste ponto, faz-se necessário voltarmos a João 10, e observarmos que, claramente, Cristo é-nos revelado como o bom pastor, aquele que dá a vida por Suas ovelhas, e das mãos do qual nenhuma delas se perderá.
Jesus respondeu que a enfermidade de Lázaro não era para morte, mas para a glória de Deus; a mesma explicação que deu aos Seus discípulos quando viram um cego de nascença (Jo 9.3). Lázaro, como o cego de nascença, foi instrumento de Deus para que o poder de Cristo se manifestasse aos homens enquanto era dia, através das obras pelas quais o Pai O enviou a fazer; para que todos vissem que Ele era a luz do mundo (Jo 9.4-5). Então, novamente, em obediência ao Pai, Jesus permaneceu dois dias onde estava.
Fico a conjecturar se o Senhor não desejou profundamente ir ter com os seus queridos. Se não era a Sua vontade partir imediatamente, e permitir que o Seu amigo não morresse. Porque lemos: “Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro” (v.5). Talvez a espera o afligisse. Certamente, sendo o Filho de Deus, Ele poderia reivindicar junto ao Pai a urgência da situação, e partir logo. Mas como Deus soberano, o qual nada lhe escapa das mãos, sabendo que tudo se cumpre rigorosamente segundo os propósitos divinos, decretados eternamente (não podendo ser pego de surpresa, ou tendo de adaptar-se ou adequar-se às novas situações), Cristo manteve-se obediente ao plano de Deus, cumprindo-o, porque o objetivo de toda aquela situação era a glória de Deus, e que o Filho glorificasse o Pai, e que o Filho fosse glorificado pelo Pai (Jo 17.1).
Então, passada a espera, Ele disse aos seus discípulos que retornassem à Judéia (v.7), causando-lhes espanto, por que o nosso Senhor havia sido ameaçado de morte; recentemente, em duas ocasiões pelos judeus, escapando milagrosamente (Jo.8.59;10.31). Em ambas as situações, os judeus tentaram contra a Sua vida porque Cristo confrontou-os, revelando-lhes a soberba e a inutilidade por depositarem a esperança de salvação numa religiosidade humana, baseada na justiça humana (a qual jamais é justa, mas injusta; jamais é santa, mas iníqua; e, portanto, ineficiente para aplacar a ira e satisfazer a justiça de Deus), ao mesmo tempo em que afirmou, explicitamente, a Sua condição de igualdade e unidade com o Pai, revelando-se como o Filho de Deus.
Há de se ressaltar, que Cristo acusou os seus inquiridores de fazer as obras do seu pai, Satanás (Jo 8.44). O fato de não amar o Senhor, e de procurar matá-lO, revela o quanto aqueles homens serviam aos desejos do seu pai, e o quanto estavam enganados quanto a servir a Deus. Ao apegarem-se às mentiras proferidas pelo diabo, rejeitando a Verdade que era o próprio Senhor, Cristo emite uma sentença condenatória a eles, ao denunciar que aqueles que não ouvem as palavras de Deus não são de Deus (Jo 8.47). Para, em seguida, declarar que aqueles que guardarem a Sua palavra jamais verão a morte (Jo 8.51), ou seja, a Sua palavra é a própria palavra de Deus, e se os judeus não a ouvem e não a guardam, encontram-se no estado de condenação eterna.
Os discípulos não entendiam porque Cristo queria voltar para a Judéia. Diante dos riscos iminentes, ainda frescos em suas memórias, por que Ele tencionava voltar para lá? O Senhor respondeu-lhes que era necessário que a luz se manifestasse, de que as obras que o Pai deu-lhE a fazer realizassem-se enquanto era dia (Jo 9.4); para denunciar as obras das trevas, e torná-las visíveis aos olhos do Seu rebanho; e, pela luz, a qual é o próprio Cristo, Suas ovelhas não tropeçariam (v.9), não seriam enganadas pelas artimanhas de Satanás, o qual é o pai da mentira e não se firmou na verdade (Jo 8.44), e suas obras foram reprovadas pela luz (Jo 3.20).
É evidente a obra que o Senhor Jesus Cristo realiza no homem caído, que está envolto em densas trevas (Ef 5.8). Como luz, Ele abre-nos os olhos, revelando-nos a Verdade, tanto a do homem corrompido como a do Deus santo, dá-nos a vida (Jo 1.4), tirando a venda que nos cegava (1Jo 2.11), que nos mantinha enganados, que obscurecia o nosso entendimento, e conservava-nos em constante e persistente rebeldia contra Deus, num estado de absoluta oposição ao Criador. Cristo, o Deus Filho, é a luz, e quem anda na luz jamais andará em trevas (Jo 12.46).
Por um momento, os discípulos sentiram-se aliviados com a resposta de Jesus, a qual lhes transmitiu a idéia de que Lázaro dormia e estaria salvo, não morto (v.11-12). Assim, não seria necessário que eles retornassem à Judéia, e, portanto, o Senhor não correria novos perigos. Os discípulos ativeram-se apenas a uma parte da resposta do Senhor, esquecendo-se do restante da frase: “mas vou despertá-lo do sono” (v.11). Por isso, eles não compreenderam corretamente aquilo que o Senhor disse, e foi preciso que Ele falasse claramente: “Lázaro está morto” (v.14). Muitas vezes, não é assim que ocorre? O Senhor nos fala, e, preocupados com o nosso desejo, com aquilo que queremos, em confirmar o que supomos ser correto, verdadeiro, e o que nos traz alegria, negligenciamos a palavra de Deus, ainda que, em nossos corações, enganamo-nos crendo estar fazendo o melhor para Deus. Não foi assim com os discípulos? Ao negligenciarem a totalidade da resposta de Jesus, apegando-se apenas a uma parte dela, de certa forma, não estavam atendendo ao anseio dos seus corações? Ao temor que os afligia? E, não é assim que agimos quando, querendo adequar a Palavra aos nossos conceitos e desejos, negamos a Verdade, tornando-nos rebeldes a Deus?
Mesmo com todos os nossos pecados, e a atitude de oposição a Deus (uns em maior, outros em menor grau, mas, de qualquer forma, rebeldes), Cristo revela-nos o Seu amor; e, misericordioso, vê cumprindo-se cada um dos eternos decretos divinos, a fim de que o Seu rebanho creia e seja salvo. Então, Ele diz: “vamos ter com ele” (v.15).
É provável que, entre os discípulos do Senhor, não houvesse alguém mais cético do que Tomé (excluo Judas Iscariotes, que jamais foi discípulo de Jesus). Ele era um homem lógico, que cria naquilo que via, um homem que não era dado a fantasias, era um realista na acepção da palavra. Em João 20.24-25, ele questionou os discípulos que lhe contaram ter visto o Senhor após a Sua morte e ressurreição. A despeito da afirmação de todos, ele recusou-se a crer no relato: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”. Tomé andou com Jesus durante os três anos do Seu ministério terreno. Ele presenciou os milagres, os ensinamentos, e viu cumprir-se cada uma das profecias acerca do Messias, proferidas pelos santos do Antigo Testamento. Porém, não creu no relato daqueles homens, companheiros com os quais esteve lado a lado, e que conhecia muito bem. Como um bom judeu, ele precisava ver um sinal (1Co 1.22).
De uma forma maravilhosa, Deus usou a incredulidade de Tomé para trazer ao coração das Suas ovelhas a certeza da salvação, e de que o Filho de Deus está vivo; e por Ele, somos vivificados, quando estávamos mortos em ofensas e pecados (Ef 2.1).
Este Tomé é quem, naquele momento, não apenas está preparado mas pronto para morrer juntamente com o Senhor (o v. 15 pode dar a idéia de que Tomé está falando em morrer juntamente com Lázaro, o qual Cristo confirmou que está morto, mas, creio que ele se refere à possível morte do Senhor pelos seus perseguidores). De certa forma, a sua afirmação soa pessimista, e, nem mesmo as vezes em que escaparam ilesos dos ataques dos fariseus servia-lhe de consolo. Continuava cético, apesar de tudo o que Jesus lhe mostrou: “Vamos nós também, para morrermos com ele” (v.16). Era necessário que ele visse mais milagres, e nem todos os milagres seriam capazes de fazê-lo crer. Assim, também somos nós que pedimos sinais dos céus, e esquecemo-nos de que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.11).
A resignação de Tomé com a morte, antes de ser um ato heróico, era uma atitude de descrença, revelando o quanto estamos distantes de Deus e Sua santidade. Mesmo diante de tudo aquilo que Deus nos revela de Si, somente pela Sua graça e longanimidade, é que, tanto Tomé, como eu, como você, podemos crer em Cristo para a vida eterna.
Tomé, como nós, conformava-se com a iminência da morte; porém, Jesus morreu por amor aos Seus eleitos, ressuscitou, e venceu-a, abolindo-a definitivamente (2Ti 1.10).

Extraido do blog Kalamos

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Advertência aos ricos.

Posted by Ruy Manhães On agosto - 23 - 2009

Advertência aos ricos.

1 Ouçam agora vocês, ricos! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a desgraça que lhes sobrevirá. 2 A riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas.

3 O ouro e a prata de vocês enferrujaram, e a ferrugem deles testemunhará contra vocês e como fogo lhes devorará a carne. Vocês acumularam bens nestes últimos dias. 4 Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que vocês retiveram com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos.

Tiago 5:1-6

avarezaUma Severa advertência emana do capitulo 5 da carta de Tiago meio irmão de Jesus., esta severa advertência tem um publico alvo bastante restrito tanto em nossos dias como naquela época.

Tiago parece estar presenciando um quadro social parecido com o nosso cotidiano, onde a desigualdade social torna os pobres cada dia mais pobres e os ricos cada vez mais ricos e esse fenômeno invade nossas igrejas que vivem dias contrários aos que viveu em sua origem, onde a comunidade dos salvos tinham tudo em comum (Atos 2-44) dedicavam-se ao ensino da palavra, oração e comunhão(Atos 2-42) e o resultado era dado por Deus que todos os dias acrescentava àquele grupo os que iam sendo salvos.

O grupo para o qual Tiago escreve parece saber o que e como fazer, mas opta pela omissão, pelo não envolvimento e pela comodidade. É mais confortável manter-se inerte, afinal ser solidário é muito trabalhoso e arriscado. Conforto, luxo, riqueza e ganância andam sempre de mãos dadas. Uns possuem muito em detrimento de outros, que muitas vezes são oprimidos por esta sociedade egoísta e desumana.

Tiago mostra a este grupo a brevidade desta vida de luxo (Verso 14) quando comparada com a eternidade, ele os adverte solenemente, riqueza adquirida com opressão de gente humilde gera um clamor, um lamento que fere os ouvidos de Deus.

O Deus soberano que ama os humildes e odeia a injustiça certamente não aprova este tipo de prosperidade. Tiago  é enérgico e diz que eles devem iniciar o choro pois as suas riquezas apodreceram, suas vestes estão sendo roídas pelas traças, sinal de que eles estão acumulando riquezas no lugar errado (Mateus 6-19).

É possível que você não seja tão rico assim, e sua vida nem seja tão luxuosa, no entanto convido você a refletir sobre como tens adquirido seus bens, quais métodos tem utilizado neste processo, seus bens são frutos de algum tipo de opressão aos menos favorecidos?

Que Deus tenha misericórdia de nos.

Soli Deo Gloria.

Comentário bíblico.

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